terça-feira, 1 de junho de 2021

Perdão salva, supera, alivia, cura e liberta.

 


                              O perdão salva, supera, alivia e até cura...

                      Através, de várias histórias, resolvi escrever de maneira fictícia essa, para descrever a trajetória difícil de pessoas que não tem, na maioria das vezes, oportunidades nem cultural, nem física, psicológica e familiar, para sair dos mesmos fins, que tantos de seu meio.

                        Ouvimos sempre frases como:

O meio faz o indivíduo.

                               O homem é produto do meio. 

                     Onde se tem uma ou duas laranjas podres; contaminado o meio todo está! 

Será???

                     Nem sempre, com muita persistência, resiliência, resistência, esforço, muitas vezes, até que descomunal; que vão além de suas forças, se consegue reverter todo um resultado comum.

                        Mas, a gente sabe, o quão é difícil...

                        ... Tonya, menina viciada em drogas e bebidas pela infelicidade da vida, cada vez mais se afundando num meio ilícito, e em seus delírios e relacionamentos, teve um, dois, três, quatro, cinco, seis filhos... Sem uma base familiar, nenhum apoio de saúde pública, governamental, nem privado, nenhuma Ong...😥  Não teve creche, a avó, mãe solteira, sempre teve que trabalhar; sendo assim, Tonya ficou a mercê da sorte, com seus irmãos. Era criança cuidando de criança.

                     Criança quer brincar, é curiosa... quer comer. É muito fácil, perder uma criança neste meio, muitos já são recrutados desde cedo para o tráfico e pequenos afazeres no crime. Infelizmente, a maioria, sempre em locais desfavorecidos, em tornos das grandes cidades, onde tudo ofusca aos olhos dos jovens sem oportunidades.

                      Desses seis filhos de Tonya, três se envolveram com o tráfico, e uma morreu inocentemente, pois não era envolvida com nada, numa rixa de gangues. Isso acabou com Tonya... ver sua filha, a mais correta, ser assassinada, mesmo que não culpada; se sentia, pois foi o meio dela, que levou sua filha à esse triste fim...

                        Já dizia Sartre.

                        "Não somos aquilo que fizeram de nós, mas o que fazemos com o que fizeram de nós". Jean Paul Sarte - Existencialismo de Sartre. ( ou fizeram conosco...)

                        .. desde o dia em que a filha de Tonya faleceu, ela nunca mais usou droga nenhuma. O objetivo de vida dela agora, era tão somente, se vingar de quem tinha matado sua filha. Os meninos das gangues, a maioria eram os mesmos que estudaram juntos com seus filhos e que por infelicidades e por fatos comuns, foram parar na vida criminal.

                   Sabemos de toda a defasagem e falta de comprometimento do sistema governamental, muitas vezes, falta de saneamento básico, melhor distribuição de renda, a fome, crianças tendo que se virar logo cedo para ajudar a matar essa fome dentro de casa, a falta de programas de jovens para cursos técnicos e inclusão do trabalho e apoio estrutural às famílias de baixa renda.

                      Como tudo isso é falho, o socorro, na maioria das vezes, vem da população própria, das Sedes criadas por eles mesmos, na formação de Ongs e instituições religiosas, que graças à Deus ajudam e muito, promovem, estimulam... desde saúde, bem estar, mata a fome e a sede, até e principalmente, educacional. Viva as Ongs e instituições que ajudam o povo carente! Devemos ajudá-las e dar crédito à elas.

                  Mas, voltando a nossa história, Tonya levou sua vingança de forma irresponsável e irracional, sem pensar em consequências, ela lutava com o que tinha aprendido na vida inteira. Colocou gangue contra gangue, dava notícias falsas, tudo anonimamente, inventou perfis falsos para falar com eles, até descobrir, sem a polícia saber, quem foi que atirou em sua filha, o rapaz conseguiu fugir, dez anos ficou sumido, ela ia enrolando a polícia, não dava as informações por inteira, ela queria pegá-lo!

                     Continuou as investigações por si própria, até que se chegou à ele. Ele, já com três filhos e casado, foi condenado à pena de morte, o "corredor da morte". Agora sim, era tudo o que Tonya sempre quis, ela conseguiu, era a sua vingança. Mas... seu coração, não havia se acalmado, havia uma inquietação, um sufocamento.

                    Seus pensamentos começaram à tormentá-la e uma briga maior consigo mesma a deixava mais confusa. -"Será que deixar um outro jovem, que havia estudado com meus filhos, que teve a mesma infância parecida com a minha... morrer, daria o descanso, a paz à minha filha"?...

                  Tonya, retirou o pedido da sentença de morte, dando o perdão, ele foi condenado somente à prisão perpétua, de 22 anos. Ela o perdoou...🙏

                   Não quero aqui, justificar o crime, jamais. Mas, dizer que tudo que Tonya, um dia fez, pois ela destruiu muitas famílias, quando era também traficante; era que uma família ela tinha salvo e quem sabe através do gesto, se o rapaz teve seu caráter modificado e coração tocado, poupara muitas futuras vítimas.

                    Volto a dizer, o seu caráter, a sua conduta, é o que lhe define e não sua origem. Claro que ela colabora e nos fraqueja. Lembrando que temos ricos sem caráter, igualmente à pobres. A pobreza não é sinônimo de criminalidade. Mas, outras séries de questões, e principalmente, a índole. Sei que as pessoas menos favorecidas não vão conseguir ler este texto, para incentivá-los a continuarem em sua luta, mas quem vier a ler, trago três reflexões aqui:

              Primeira, de qualquer meio, podemos ter pessoas dignas e honestas, independentes de sua classe ou condição social; 

                     Segunda, o perdão ao outro, ele salva, supera, alivia, liberta e cura, e às vezes é muito mais sobre o perdão à nós mesmos do que ao outro.

                     E terceira, como devemos dar valor às quaisquer tipos de Ongs e entidades que auxiliam, ajudam, dão instrumentos para qualquer cidadão que queira mudar e crescer!!!

                  Procure uma e auxilie com qualquer disposição, seja educacional, material, serviço ou até mesmo e muitíssimo importante o voluntariado, porque...

vidas importam sempre!

                                                                                          Margareth Merejoli

                        Paz e Bem!!!